sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bandidos cobram pedágio em Manacapuru

Manacapuru (AM) - Mais de mil pessoas ocuparam a quadra de esporte do SESC para assistir à audiência pública que discutiu a explosão da violência urbana em Manacapuru. Durante três horas e meia, o Tribunal de Justiça, Prefeitura Municipal, Ministério Público, Comando Geral da PM, Secretaria de Segurança e quatro deputados representando a Assembleia Legislativa ouviram depoimentos e debateram com a comunidade o clima de terror e medo em que a população do município está vivendo.

Num dos depoimentos mais contundentes, uma moradora de Manacapuru disse através de um depoimento em vídeo que sua casa foi invadida por um assaltante e, depois de ter uma faca colocada em seu pescoço, ela foi trancada dentro do banheiro e “quando saí encontrei meu marido morto com um tiro. Agora, o que eu quero é justiça”, disse a senhora.

O procurador-geral de Justiça em exercício, Pedro Bezerra Filho dividiu seu tempo com o procurador do município, Reinaldo Alberto Nery, que questionou as condições do presídio, construído com capacidade para 17 presos e hoje abriga 70 internos. “O crescimento da violência no município não diz respeito somente ao narcotráfico. Passam também latrocínios, assaltos e estupro. Passei dois anos e meio fora de Manacapuru, na Secretaria Geral do Ministério Público e, quando retornei ao município, me impressionou a quantidade de casos de estupro”.

O vice-prefeito, Messias Furtado, também fez graves denúncias, entre elas a de que “todo mundo na cidade sabe onde é a boca de fumo de Manacapuru”, mas ninguém vai lá acabar. Ele cobrou a instalação de um disk-denúncia para receber informações não só contra traficantes, mas também contra policiais corruptos, boca de fumo e casas de shows que perturbam a ordem com sistema de som no último volume sem respeitar a Lei do Silêncio que só permite o som em vias pública até as 22h.

— O grande problema é que aqui em Manacapuru lobo e cordeiro convivem lado a lado! ― disse arrancando aplausos e gritos de euforia da multidão.

A audiência foi encerrada às 19h30 pelo desembargador Domingos Chalub que, com o retorno do desembargador João Simões Simões a Manaus, assumiu a Mesa como presidente do TJAM em exercício. “Já ouvimos o suficiente, agora, nós que somos os responsáveis pélas instituições temos que agir. E avisar para os bandidos que estamos presentes para, ao lado da sociedade enfrentar essa guerra!” - disse o desembargador.

Depois de agradecer a participação de todos, o prefeito Angelus Figueira protestou contra o fato do comandante da PM, Dan Câmara, anunciar publicamente que iria desbaratar uma quadrilha de traficantes. Para o prefeito, este é dos motivos pelo qual as operações “são pífias”, quando a polícia chega os traficantes, avisados, já fugiram. Para exemplificar que o problema da segurança em Manacapuru é sério, o prefeito citou várias comunidades – Jacaré, Bela Vista e Campinas – onde os bandidos cobram pedágio para a população passar.

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