sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Manacapuru clama por Segurança

A segunda Audiência Pública coordenada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas – a primeira foi no município de Itacoatiara – teve início por volta das 16h, na quadra coberta do SESC. Mas antes, o presidente do TJAM, desembargador João Simões realizou uma reunião no Fórum para discutir com os juízes da comarca algumas providências para melhorar a prestação jurisdicional em Manacapuru, que vinha enfrentando problemas de pessoal e de estrutura física no prédio. O prefeito Angelus Figueira chegou logo depois e se reuniu com o presidente Simões, o vice-presidente, Domingos Chalub e garantiu o reforço de mais três funcionários e o reparo no prédio.

— O prefeito garantiu essa parceria com o Judiciário, tanto de pessoal como material, em termos de pequenas intervenções para a reforma no prédio do Fórum – disse o desembargador-presidente ao chegar ao SESC para participar da audiência, onde a quadra esportiva e suas arquibancadas já estavam completamente tomadas pela população.

Realidade cruel

O prefeito Angelus Figueira abriu a audiência desenhando um quadro estarrecedor. Ele disse que assumiu a prefeitura há 18 meses e “herdou” uma realidade cruel no município. “Nas últimas pesquisas que fizemos, o problema número um deste município é exatamente a violência”, disse ele, informando que uma das questões que impulsiona a violência e traz para o Amazonas um grande risco, é a questão do narcotráfico.

— Duas apreensões feitas no município de Manacapuru, entre dezenas de apreensões, totalizaram mais de uma tonelada de pó. Isso representa mais que o orçamento da prefeitura de um ano. Este tráfico acaba deixando resíduos. Acredito sim que muito da nossa violência vem na esteira desse processo perverso.

Figueira advertiu que é preciso que os órgãos de Segurança Pública e as instituições tomem providências porque até mesmo policiais federais foram mortos por traficantes estrangeiros na região do Solimões.

— Precisamos de uma ação firme, não só do Estado, mas também do Governo Federal para fazer frente a essa realidade perversa. Ainda ontem (06/01) tivemos mais um agricultor executado com um tiro na testa. Não é dever do Poder Municipal, mas de todo cidadão a participação nesse processo para equação desse problema. E nós queremos mais do que clamar, queremos ser parceiros desse processo –, afirmou o prefeito, advertindo que se não houver uma ação enérgica, “no futuro bem próximo isso aqui vai ficar pior do que favela do Rio de Janeiro”.

Depois de Angelus Figueira, ocuparam a tribuna representantes da igreja católica, evangélica, da Câmara dos Diretores Lojistas (CDL), de associação de bairros e um representante dos agricultores rurais, Paulo Bernardo da Costa do Marrecão que arrancou aplausos entusiasmados das arquibancadas pelo veemente protesto que fez.

— Os senhores estão preocupados aqui e lá nós estamos muito inseguros. Quando um agricultor é morto, o sentimento é de que nós perdemos um soldado do campo – disse Bernardo, reivindicando uma patrulha naval para conter o crescimento assustador de assaltos a barcos e roubos de motores de “rabeta” nos rios da região. “Nossas estradas são os rios, mas as autoridades só fazem patrulha na terra e não trabalham na água”, disse sendo muito aplaudido.

Em seguida, foram apresentados através de um vídeo projetado no telão armado na quadra, depoimentos de pessoas vítimas de violência em Manacapuru.

Judiciário presente

Para cumprir o restante de sua agenda em Manaus, o presidente do TJAM, João Simões, falou logo a seguir. Ele parabenizou o vice-presidente, Domingos Chalub, pela cruzada que ele vem fazendo nos municípios debatendo a questão da segurança. Simões garantiu que o Poder Judiciário do Amazonas está presente e sensível à situação que está passando o município de Manacapuru.

De acordo com o desembargador, assim como há demandas a serem supridas na área de segurança, ele tem certeza que existem pendências também no Poder Judiciário de Manacapuru.

— Conversamos com os magistrados, sabemos das dificuldades que eles enfrentam com a falta de pessoal, problemas de comunicação (internet) e, inclusive com as instalações prediais. E qual o nosso compromisso aqui, frente ao povo de Manacapuru? Que vamos melhorar o trabalho aqui na comarca. Conversamos com o prefeito e ele já disponibilizou todo o pessoal necessário, concursado, para que nos auxilie no trabalho do fórum aqui de Manacapuru – garantiu o desembargador, adiantando que partir de hoje, “com certeza já teremos novos guerreiros que irão trabalhar conosco para enfrentar essa guerra (aplausos)".

Participaram da Audiência Pública de Manacapuru, além do prefeito Angelus Cruz Figueira e o presidente do TJAM, João Simões, o vice-presidente Domingos Chalub; João Messias da Silva Furtado, vice-prefeito; Cel. Dan Câmara, Comandante Geral da Polícia Militar; Eduardo Ituassu, representante da Defensoria Pública; Pedro Bezerra Filho, Procurador Geral de Justiça em exercício; Francisco Coelho, representante da Câmara Municipal de Manacapuru; Cel. Almir Barbosa, Secretaria de Segurança Pública do Estado; Sérgio Costa Couto, Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos; Divanilson Cavalcante, Delegado Geral de Políci a Civil.

Deputados – Cabo Maciel, Orlando Cidade, Fausto Souza e Francisco Souza; Major Andrade, representante do Secretário Executivo de Inteligência; Luiz Cláudio Chaves. Juiz de Direito da 2ª Vara de Manacapuru; Celso Antunes, juiz e Reinaldo Alberto, Promotor de Justiça da 2º Vara de Manacapuru.

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